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quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Fascínio




E o sol nasce de novo.
E cai a chuva...
Transcorrem os segundos,
Horas,
Dias,
Meses,
As coisas mudam o tempo todo.
Exceto a minha vontade de você.



Somaia Gonzaga


domingo, 17 de setembro de 2017

Transformar coisas velhas em novas e atrativas.



Aprendi a customizar. Moderna designação para aproveitar o que normalmente iria para o lixo.  Gostei muito das gavetas, por ser bem simples.  É só pegar uma gaveta velha, lixar, pintar, decorar e pronto! Fica novinha em folha.  Daí você pode transformá-la em quadro, criado-mudo, nicho, estante e no que você quiser. Nem precisa ser um artista para reaproveitar um objeto corroído pelo tempo. Curioso é que equiparei aos sentimentos negativos, como guardar mágoa, rancor, que só nos causa mal-estar.  Equivale olhar para um objeto velho e antigo dentro de casa e sentir-se angustiada. Ao invés de se desfazer do utensílio ou lembrança, podemos transmudá-los. Eu consegui converter antigos acontecimentos chatos e relações desgastadas em únicas, é só usar a criatividade. É mais difícil, mas se consegue com paciência. Pensa naquele ocorrido sacal, filtra o que houve de bom e pronto! O resultado vale à pena. 

Decerto alguma coisa você aprendeu. Tudo é arte, viver também.

Somaia Gonzaga






domingo, 10 de setembro de 2017

E se o amor me foge




E se o amor me foge
Lanço-me ao mar
Entrego-me ao abraço das águas

E me ponho a sonhar...


Somaia Gonzaga



segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Eu abarco...



Escolhestes singrar outros mares
Em nova embarcação.
Não há nada a fazer...
Eu nau pequena,
Navego serena

No mar da solidão.

Somaia Gonzaga



domingo, 20 de agosto de 2017

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Um mergulho na realidade


Abracei a solidão,
Como quem abraça um amor.
Nada me interrompe ou alicia,
Momento de afasia,
Circunstância precisa.

Dor de amor,
nostalgia,
Que invade minh'alma
E acinzenta meus dias.

A saudade até me acalenta,
Ser insignificante é que me angustia.


Somaia Gonzaga






domingo, 13 de agosto de 2017

Ao meu autor



Não encontro palavras para expressar o que sinto nesse dia alusivo a ele, o que me vem são recordações...  Homem alto, corpo magro e esbelto, sorriso apaziguador. Ainda consigo ouvir os acordes jazzísticos de seu violão ou guitarra, sua voz serena, seus gestos de carinho. Saudade meu velho, de seu colo e sua proteção.

Somaia Gonzaga




sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Derramando palavras.



Eu queria ser poeta
Para saber deitar as palavras
Sem mantê-las estáticas,
E incitar a alma em intensa inspiração.

Eu queria versejar apenas,
Dinamizando a língua
Que me é inerente,
Eclodindo sentidos, ser ardente...

Queria ser muito eloquente,
E suscitar suspiros, sorrisos,
No peito de quem sente,
As emoções do mundo terminantemente.


Somaia Gonzaga




quinta-feira, 3 de agosto de 2017

quinta-feira, 27 de julho de 2017

1625 Km de distância e outras mais...




      Seus dias eram mornos e o tempo esvaia-se em sofreguidão.  Dir-se-ia que por ausência dos riscos. Riscos esses que adornam a vida e resgatam o sabor do primeiro olhar, do primeiro beijo e arritmia da pulsação. Seu coração batia seco. Sentia-se morta-viva como um vampiro em busca de sangue para sua própria existência, com a discrepância de que o vampiro ao menos procurava e ela nada fazia.  Mas isso não a incomodava, apreciava seu ostracismo cinza, e foi assim por vários anos. No entanto, a vida brota em cada amanhecer e muda constantemente e com ela não poderia ser diferente.  Era manhã de março quando Dan aproximou-se para beijá-la, essa tentativa lhe causou repulsa e isso a germinou.
      Sim, renasceu entre os muros de si mesma. Mudou-se. Novo apartamento, novas roupas. Tinha voltado para ela e estava feliz.  Cotidianamente repetia ao despertar: “a-cor-dei”, referindo-se ao abrir dos olhos e a percepção de cores em sua atual vida. Estava só e amava este universo. Todavia, ela era uma pessoa, e como tal, cheia de quereres. E novamente quis arriscar, desejava mais, algo que a desmontasse e simultaneamente a construísse. Ficar só já não era satisfatório, tencionava amar. Houve várias tentativas, talvez, mais dos pretendentes, do que dela própria. Angustiada, constatou de que estava medrosa, dava voltas em seu quarto e dentro de si, perdida não sabia agir, falta-lhe pernas.
      Nesse ínterim conheceu João, um homem comum, mas, de poder singular. Quase nunca sorria e mesmo o sentindo circunspecto aquele alguém paulatinamente foi desagregando a rocha que sempre foi. Sim, ela não conhecia o desassossego, a insegurança e o ciúme tão costumeiros às paixões, pois quando despertava amores, não os sentira de fato. Seus romances iam até ao seu esgotamento mental, que, diga-se de passagem, não sobreviviam a uma estação. Às vezes o que a motivava ao término de um enlace era apenas cansaço do “mesmismo”, em outras, tudo a incomodava. Era frequente depreciar a alguns que confessavam carinho,  muito embora tenha convivido anos com seu ex-marido que interrompeu, por um tempo, sua busca incessante em vivenciar a sua solitude, ou possivelmente , tenha, na época, se apaixonado, não se sabe ao certo.
     O fato é que João atingira a pedra com exatidão e Maria custou a aceitar de que estava fascinada até experimentar o que nunca sentira: ciúmes. E ela chorou por sucessivos outonos e invernos. Percebeu-se menina, cheia de medos e desprotegida. Não era mais a moça desdenhosa e solta que fora. Não existia fadiga para os encontros, aliás, ansiava por eles. Não foi meramente uma fase. Agora Maria pertencia. E mesmo que João não a cobiçasse mais, não havia o que mudar. Seu pensamento, sua essência pertenciam a João. Entretanto, essa não é uma história de um amor habitual com final feliz, pois houve uma longa pausa, que suscitou para ambos, outros acontecimentos, e há distâncias entre os personagens em questão, muitas inclusive. Por ele, ela digladiou. Lutou para não amá-lo e depois, em vão, para esquecê-lo. Mas, apesar de não ser um relato de realizações para os dois, visto que nem sabemos das considerações de João e sentimentos para com ela, certamente esse indivíduo “sui generis” lapidou a protagonista que era somente uma criatura, transformando-a em um ser humano.
      ...


Somaia Gonzaga