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domingo, 21 de maio de 2017

Sentimentos da chuva que florescem no inverno



Domingo chuvoso,
E o frio adentra meu quarto.
Vasto, escasso.

Sob as cobertas observo  os golpes fortes
Das gotas de chuva em minha minha janela.
Que inundam a alma e regam idéias.
Floresço.

A cada gota que cai
Lembranças...
Transbordo.

A melodia da chuva
Som mais que perfeito e nostálgico,
 Me acalenta,

Gélido vento invade o recinto,
Estremeço e intento,
Quem me dera teu calor,
Quem me dera teu amor agora.

Somaia Gonzaga




quarta-feira, 17 de maio de 2017

Leveza...




Hoje acordei borboleta.
Leve e colorida,
Recém saída do meu casulo
Não mais importante da lagarta que um dia fui,
mas, sobretudo leve.



Somaia Gonzaga

domingo, 7 de maio de 2017

Confissão...




Às vezes renego você em mim,
Em algumas até consigo...
No entanto, na tua presença aliciante,

Num ápice, explodo em mil sentidos.

Somaia Gonzaga




terça-feira, 2 de maio de 2017

Sensações...




A chuva cai.
 E um cheiro de terra molhada invade as paredes do recinto. 
Doce odor que impulsiona emoções. 
A Noite é fria, o café quente e eu vestida de nostalgia.
E chove... 
Chove em sossego nas ruas escuras e esquecidas de mim.


Somaia Gonzaga



sexta-feira, 21 de abril de 2017

terça-feira, 11 de abril de 2017

Fuga



Ela chega e se instala
E me acompanha
                                  arranha
                                                      assanha
                                                                         As minhas meias verdades ...
                   Amanhece
                                         Anoitece
Entontece
                               Os meus devaneios.

E em silêncio gritante


Recuso-me a essa saudade cortante.


                                                               Somaia Gonzaga


sábado, 1 de abril de 2017

Encantada...



Melhor que receber amor é ofertá-lo.
Assim sendo, carrega esse afago contigo
E prometo atenuar
Os lugares mais íngremes,
E as auroras tempestuosas.
No fim do dia te chego suave,
Roço meus lábios em teu rosto apenas,
A fim de arrancar-te a fadiga de todas as horas
E acalentar-te ainda exaurido.
E mesmo  que não me queiras,
Segue tua vida em certeza

Que velo sempre por ti em minha lembrança.

Somaia Gonzaga




sábado, 25 de fevereiro de 2017

Vestígios de você...



Um leve suspirar e um sorriso acanhado,
Boa música, um lugar, pessoas.
O pensamento vagueia e traz você na cabeça.
Trilho a calçada da vida,
Um brinde! Dirias.
Sorvo o chope em homenagem.
Fecho os olhos nostálgica,
Sonho... Sorrisos e falas...
Acordo e  jogo uma piada monótona e chata.
Represento, tenho alma, sou artista.
Camuflo lembranças em reserva,

De um sentimento desmedido que não cessa.

Somaia Gonzaga


segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Ao ícone jazzistíco



Partistes Jarreau,
Deixando  “Morning” in my mind.
Paz…
Que suscita perante seus acordes.
E circunda meu íntimo universo.
Que essa serenidade transbordante
Ilumine-o em sua nova jornada.




Somaia Marguerite Gonzaga



domingo, 12 de fevereiro de 2017

Segundos, minutos, horas e uma existência.




  Caminhavam absortas, apreciando o entardecer singular daquele litoral. Já cansadas do passeio, sentaram-se sobre um barco ancorado a beira-mar. Alice, sua amiga desde a infância, era tagarela, e um passeio de quase meia hora em absoluto silencio já era muito bom, pensou, enquanto usufruía com serenidade daquele instante. Percebeu que a mesma estava inquieta, talvez a falta de assunto a enfadasse, preocupou-se, entretanto, sentia que por hora precisava da quietude, o barulho do cotidiano a estressava e o crepúsculo era um convite a apreciação.  Num átimo, Alice pôs-se de pé, cruzou a praia e começou a molhar os seus pés na espuma marinha, como num ritual em homenagem a vida.
  Ana observou a locomoção da moça ao passo que refletia.  Ah vida... Ocorreu-lhe o refrão de uma música de Gonzaguinha. “...vida, vida, vida... que seja do jeito que for, mar, amar, amor...” Lembrou-se do compositor que tanto exaltou a vida, mas que por ironia do destino teve uma existência breve, bem como, passam os anos e toda uma existência, considerou.
  Viver... Refletiu, enquanto observava o vaivém das ondas que lambiam a areia fina e branca da praia. Para ela, sobreviver era apenas ter a consciência de estar em contínuo aprendizado, vivenciando todos os momentos como únicos e experimentando em cada partícula do ser, as conseqüências dos erros e acertos, tão necessários como o próprio tempo. Nunca conheceu alguém que fosse um eterno sofredor, nem mesmo uma pessoa totalmente feliz, o que a fez deduzir que a vida é dinâmica,  cercada dos “sim” e dos “não” ou ainda dos “talvez”. Assim sendo, viver era ser completo sem estar pleno. Era ser, estar e sentir. Concluiu.
  Seus pensamentos foram interrompidos, com a proximidade de Alice que surgiu com um sorriso largo e de uma alegria quase infantil. Lá vem conversa, presumiu. Freneticamente Alice acercou-se e de pronto indagou:
- E aí? Cadê o amor? – Interpelou com simpatia.
- Está aqui. -  Respondeu-lhe calmamente.
-É? Onde? -  Perguntou a outra curiosa e percorrendo os olhos por toda orla.
Sorriu, ao perceber o espanto da mulher que depois de inspecionar o ambiente a olhava com olhos arregalados, diante de sua afirmativa. E foi com o olhar fixo ao mar que explicou serena:
- Está aqui em meu peito, guardado a sete chaves.
- Como? Ah! Já sei! Não é correspondida? – Sondou compadecida.
- Está falando em um homem? -  Ironizou. Sabia o que ela investigava, no entanto, resolveu brincar um pouco.
- Está falando de uma mulher? A outra não se continha de curiosidade e a cada segundo denotava apreensão.
- Alice... Meu amor está na vida. Amo tudo isso aqui. – replicou com entusiasmo.
- Ah bom! – suspirou meio que aliviada e continuou. – Não me respondeu Ana! Estou falando em um namorado... Sorriu maliciosamente.
- E eu da vida. - Devolveu o sorriso  - Existe coisa melhor do que esse sossego? Saio aos finais de semana com minhas amigas e me divirto. Volto pra casa tranqüila e durmo em paz. A cada dia me convenço que manter-se bem é vivenciar o que me causa alegria. Há tempos não namoro. Gosto do romantismo, do amor à moda antiga, da paquera, infelizmente percebo que as relações amorosas estão inexpressivas, ou pior, tornaram-se comerciais, o que é uma pena, vincular-me assim não me traria satisfação alguma. Não faz muito tempo, ainda acreditava que a minha felicidade se encontrava em outro alguém. Coitado! Quanta responsabilidade para o outro, não é mesmo? E que miserável eu seria! – Gargalhou. –  A idéia de que a nossa felicidade depende de uma relação , seja ela qual for,  elimina qualquer possibilidade de bem-estar íntimo. Em tempo, percebi que esse contentamento está em mim e isso independe de possuir uma companhia ou não. A Vida é muito mais que isso Alice. A vida é oportunidade de aprendizado, de disciplina, de autoconhecimento, de troca de conhecimentos e experiências. Limitar a vida a encontros e desencontros sexuais é regressar ao estágio animal. Não me vejo nesse patamar, entretanto, não censuro quem faz disso um esporte. – Escarneceu – Já amei muito, e guardo ótimas recordações, porém a vida segue e cada um procura o que é melhor para si mesmo. Você vai dizer que sinto falta e até concordo! Realmente algumas vezes, a gente se pega pensando em como seria encontrar uma pessoa na atual conjuntura, contudo, não lamento, nem festejo tal circunstancia. Sinceramente, o que realmente entendi é que o meu amor sou eu, falo isso sem orgulho ou egolatria, mas com a simplicidade de uma pessoa que acredita ter alcançado o mínimo de equilíbrio. A propósito, menos lenga-lenga e mais ação! Já está escurecendo e tratemos de voltar para casa, preciso de um banho e me trocar, hoje à noite vou ao Caranguejola, ver gente bonita, jogar conversa fora, espairecer!
  Levantou-se encerrando a conversa, moveu-se em direção a avenida e gesticulou para que a moça a seguisse. Compreendeu que seu argumento não agradou a sua interlocutora, uma vez que, o mutismo e o olhar eram de reprovação, ignorou, pois pensavam diferentes e ela respeitava a individualidade humana. Similarmente deduziu que a única coisa que fez brilhar o olhos de sua amiga foi o fato de ter mencionado  o restaurante que compareceria, pois que, de imediato a mesma pediu para acompanhá-la, e ao consentir-lhe a moça não parou mais de conversar e foi assim durante todo o percurso, articulando a roupa, sapato, bolsa, maquiagem que iria usar para a ocasião.  Cabisbaixa, Ana a ouvia e divertia-se com a velocidade e quantidade de palavras que saiam da boca daquela menina, nem sequer, uma pausa! Como pode uma pessoa falar tanto? Olhou-a tentando entender o motivo de tanta euforia. Será que ela estava cogitando arrumar um namorico no recinto? Queira Deus que arrume, ao menos ficaria mais concentrada no possível affair, impossibilitando-a de tagarelar! Caçoou, à medida que apressava seus passos, uma vez que ela também precisava organizar-se, já que havia muito a se viver.



Somaia Marguerite Gonzaga