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terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Poema Estudo sobre o silêncio - Alan Figuereido

Por: Somaia Gonzaga
Música: Soledad - Maria Linnemann


Existe o silêncio que inicia a fala
Silêncio ...
Principio
Justa medida para dar espaço
Para abrir a porta na sucessão dos sons ...

As vezes o silêncio traz um retorno necessário
Um eco substancia
Estilos e tempos internos
Daquele que vos fala ..

O silencio fica curto
Quando queremos aproximar as ideias
Chamar a atenção para uma quebra ...
Ou um desenrolar dos versos e das metáforas ...

No fundo o silencio controla a vida
Nos sucessivos respirar dos que falam
Alinham as inspirações
Harmonizam a ventilação dos que comungam do mesmo silêncio ..

O silencio pode ser desconfortável e constrangedor
Sugerir finais intermináveis
Suspender os ares e toda expectativa
De serem boas as palavras ou demasiadamente pesadas ...

O silencio traz alivio
Um entendimento epifanio por entre os versos
Sentimentos eternizados nas diástoles do coração do ouvinte
Curvas orgasmicas do amar a realidade ...

O silencio projeta as sombras de nossas palavras
Reflete por entre os sons
A incompreensão necessária dos que falam
Ruído eterno da vida ..

 Ah ... O silêncio ...

Sustentação dos que vivem
Simbolismo absoluto dos que morrem
Substancia ... primeira da saudade
Objetivo ... ultimo da linguagem

Alan Figuereido

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Fugindo de mim....




Cansada do marasmo de seus dias caminhou até o espelho, olhou-se demoradamente. Buscou o seu "eu"... Irritada, dirigiu-se a janela de seu pequeno quarto , apoiou-se-se na fenda e vislumbrou a paisagem que a cercava. 
Embevecida pelas luzes da cidade que anunciavam as festas de final de ano, vestiu-se de coragem 
e saiu da ostra...

Somaia Gonzaga 
16/12/2016






quinta-feira, 24 de novembro de 2016

domingo, 30 de outubro de 2016

♪... Juntou caminhos, mas separou as estradas...♫



Um momento de paixão,
instantes...
E não há lamentos,
nem angustias.
Aconteceu....
Revivi,  senti
e eternizei.

Somaia Marguerite Gonzaga


sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Oração ao vento



Sopra vento,
Desalinha meus cabelos,
Joga o pó da terra em minha pele
com fúria.

Voa vento!
E acalenta-me
com a leveza dos pássaros,
no seu abraço.

Vem vento,
sussurra ao meu ouvido
as naus que já fez velejar
no oceano da saudade.

Sopra vento...
Sopra!
E leva as sobras do que fui,
e do que sou.



Somaia Gonzaga








sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Eternamente você...





Tenho medo desse fascínio,
Que eclode/explode ao ouvir-te em mim...
Receio esse leve sussurrar da loucura,
Que do sereno tornou-se tempestuoso,
Conduzindo-me  aos inevitáveis tropeços.
Ilusões ...
Difícil manter-me impassível a tua presença-ausente.
Esquivo-me, mas, não te quero longe.
Transbordo de amor,
Voo...
Contudo, forçoso é manter meus pés ao chão.

Somaia Gonzaga

30/09/2016

sábado, 17 de setembro de 2016

♫...Se resta em sua lembrança um pouco do muito que te quis..." ♫




É que a saudade chega serena,
Propiciando uma noite tranqüila de sono
E um amanhecer de paz.
Entretanto, uma lágrima irrompe com a madrugada,
Resignadamente enxugo-a
E recolho-me.

Somaia Gonzaga
18/09/2016 às 00:12



domingo, 4 de setembro de 2016

Um átimo ...




Há no teu abraço um leve pulsar,
E no teu olhar algo nostálgico,
Que me invade a alma,
Como se estivesse dissipando as angústias vividas.
Repentinamente, tu me afagas com um beijo
E por pouco me cativas.


Somaia
04/09/2016

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Instantes, momentos, reticências.




     Apoiada à janela, observou atentamente o brilho fascinante das luzes que iluminavam a calorosa noite. Vislumbrou o mar e os coqueirais que bailavam com a melodia do vento. Analisou as pessoas que caminhavam à beira-mar e algumas crianças que corriam, e  outras que patinavam. Contagiou-se ao ver os sorrisos estampados nos rostos, os abraços dados, os acenos... Apreciava testemunhar os encontros e desencontros tão comuns ao cotidiano. Demorou-se assim, não sabe por quanto tempo, contemplando o agradável cenário.
     Vidas. Vidas regadas a angustias, alegrias e medos. Quantos sentimentos são necessários para a consolidação de um ser? Refletiu. Avistou o horizonte e sorriu ao recordar que ela mesma experimentou com intensidade cada porção do “sentir” desencadeado ao longo dos anos.
     Absorta, ouve seu nome e delicadamente volta-se para o quarto. Ele deitado, reclamou aconchego. De imediato, desprendeu-se da paisagem, fechando as janelas. Caminhou com passos suaves até o leito, sentando-se ao lado dele. Entreolharam-se, percebeu que ele estava sonolento, encostou-se mais e com as mãos transportou a cabeça daquele homem, amparando-a sobre suas coxas, ele obedeceu cerrando os olhos ao passo que balbuciou algo inaudível, repousando por fim um dos braços em cima de suas pernas. Em silêncio acariciou-lhe os cabelos grisalhos, mergulhando nas sensações que aquela proximidade provocara por ininterruptas estações.
     Ansiou por muito tempo aquele instante, o que a fez agarrar-se ao momento ímpar com entusiasmo. Um turbilhão de sentimentos eclodiu naquelas poucas horas em que os sentidos, agora, faziam sentido.  No entanto, um misto de plenitude e desencanto digladiavam-se, em seu íntimo. Estavam, mas não seriam, lamentou. A emoção vestindo-se de corsellet vermelho a conduziu até ali, entretanto, a prudência, essa, trataria de levá-la sem arranhões para suas infinitas horas em seu apartamento. Ambos sabiam, ele tinha que partir, mas a vida era feita de idas e vindas, portanto não era motivo para tormentos, o instante era mágico e seria eternizado, pensou. Não haveria dores, talvez restasse uma saudade, ou ainda quem sabe, apenas uma boa recordação de um amor forçadamente amputado. Curvou-se e beijou-lhe a fronte. Entre resmungos, ele lançou-se sobre o travesseiro, ao lado. Sorrindo, virou-se lateralmente, apagando a luz do abajur.  Deitou-se e abraçou aquele universo que não a pertencia. Antes de dormir, sussurrou-lhe ao ouvido: Meu sonho, amanhã é dia de acordar.
                                                                                 
                                              
Somaia Gonzaga

11/08/2016

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Mar de calmaria




A beira-mar, ela saboreou  serena,
A brisa suave que circundou seu caminhar,
As  ondas batiam na praia compondo uma canção,
Que evocavam  Bolero de Ravel.
E nesse ritmo seus passos  lentos e precisos,
Trilhou entre os coqueiros e o mar.
Percorreu com pés agarrados a areia branca e fina,
Sob um luar de brilho prateado,
Sentiu seu corpo leve...
E em sua alma uma paz infinda.


Somaia Marguerite