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quarta-feira, 27 de julho de 2016

Mar de calmaria




A beira-mar, ela saboreou  serena,
A brisa envolvente  que circundou seu caminhar,
As  ondas batiam na praia compondo uma canção,
Que evocavam  Bolero de Ravel.
E nesse ritmo seus passos  lentos e precisos,
Trilhou entre os coqueiros e o mar.
Percorreu com pés agarrados a areia branca e fina,
Sob um luar de brilho prateado,
Sentiu seu corpo leve...
E em sua alma uma paz infinda.


Somaia Marguerite



sábado, 23 de julho de 2016

Ar de incêndios




O inesperado que invade,
Adentra com sabor de Boscato Cabernet,
Inebria os sentidos coibidos,
Enjaulados, agonizados...
São as armadilhas do destino,
Que faz de ébrio o que era comedido
E exacerba  a chama incoercível.


Somaia Marguerite
23/07/2016









sexta-feira, 8 de julho de 2016

Desatino





Queria estar perto...
Sentir teu cheiro no meu,
Molhar a minha boca na tua sem medo,
Esmoreço.

Mesclar meu suor no teu,
Contemplando teus olhos castanhos,
Que não esqueço!
Esbravejo.

Confessar num lamento sereno,
Que em noites cálidas
Pulso em segredo,
E enlouqueço.



Somaia Marguerite




segunda-feira, 20 de junho de 2016

Emboscadas da existência



Longa é a estrada das ciladas.  Mantenho-me íntegra, 
mesmo esbarrando com muitas que o caminho proporciona.


Somaia Marguerite





sexta-feira, 17 de junho de 2016

Trapaceando o destino



Trago os cigarros
Como absorvo minha vida,
Burlo minhas horas infindas,
Mostrando meus dentes...


Somaia Marguerite Gonzaga





quinta-feira, 16 de junho de 2016

Invasão consentida




E do nada
Sobressalto por golpe rabiscado,
Letras Inexatas e desarticuladas
Indo e vindo,
Violentando o silêncio,
Constrangendo meu mutismo.

Na Intensidade do tormento,
Excitada e atordoada,
Deixo-me ser invadida.

Sinto o pulsar da língua neste momento
E a minh’alma comovida.

Sem rima, sem métrica...
Assim prossigo!
Desprovida de know-how no versejar.
Apenas reverberando as palavras
(que ecoam)
Sem sentido.


Somaia Marguerite










sexta-feira, 10 de junho de 2016

Apenas gosto...



Gosto das palavras
Soltas, metrificadas
Escritas , Lidas, declamadas
Emaranhadas, destrinchadas
Balbuciadas, Sussuradas
 Espraguejadas...
Palavras que voam, esquecidas pelo tempo
As que ainda estão por vir, livres no pensamento
A palavra enunciada no tenebroso silencio
Interpretadas nos quadros, nas fotografias
Expressas nos movimentos da dançarina
Lindas, mesmo pornografias ou pornofonias
Amo as palavras escarradas no dia-a-dia.


Somaia Marguerite



quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Olhos





Vi teu olhar... Desinteressado talvez, mas que eclodiu em mim, um vulcão de sentimentos adormecidos, pelo tempo e pelo cansaço. Um olhar apenas, no entanto, avivou aquilo que nego despertar. Olhos castanhos, que acenderam a chama, que um dia me fizeram emergir de mim mesma. Não há como negar, seu olhar ainda, somente ele, atordoa, alicia, perturba... Sim, percebi seu olhar e desorientei-me em angustiadas lembranças. Neste curso, encontrei uma saudade incessante e perdi meu chão, ousei gritar, entretanto, fracassei, vencida pelas recordações afloradas. Precisei de ar, do seu ar... Caminhei vagarosamente até a sala e abri as janelas, senti um vento impetuoso adentrar no ambiente, abracei-me e neste ápice, seus olhos, mais uma vez, alcançaram os meus. Olhos poderosos, que desconhecem a força, que até hoje, exercem sobre esta mulher. O poder de uma águia, que me envolve e que em livre vôo lança-se no infinito, solto e cativo unicamente pelos meus olhos, que silenciosos os seguem atentos. Baixei a cabeça lentamente, a fim de desviar a atenção do pássaro, suspirei resignada e perdida em devaneios, fechei as  minhas janelas para não mais o olhar.


Somaia Gonzaga