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quinta-feira, 24 de novembro de 2016

domingo, 30 de outubro de 2016

♪... Juntou caminhos, mas separou as estradas...♫



Um momento de paixão,
instantes...
E não há lamentos,
nem angustias.
Aconteceu....
Revivi,  senti
e eternizei.

Somaia Marguerite Gonzaga


sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Oração ao vento



Sopra vento,
Desalinha meus cabelos,
Joga o pó da terra em minha pele
com fúria.

Voa vento!
E acalenta-me
com a leveza dos pássaros,
no seu abraço.

Vem vento,
sussurra ao meu ouvido
as naus que já fez velejar
no oceano da saudade.

Sopra vento...
Sopra!
E leva as sobras do que fui,
e do que sou.



Somaia Gonzaga








sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Eternamente você...





Tenho medo desse fascínio,
Que eclode/explode ao ouvir-te em mim...
Receio esse leve sussurrar da loucura,
Que do sereno tornou-se tempestuoso,
Conduzindo-me  aos inevitáveis tropeços.
Ilusões ...
Difícil manter-me impassível a tua presença-ausente.
Esquivo-me, mas, não te quero longe.
Transbordo de amor,
Voo...
Contudo, forçoso é manter meus pés ao chão.

Somaia Gonzaga

30/09/2016

sábado, 17 de setembro de 2016

♫...Se resta em sua lembrança um pouco do muito que te quis..." ♫




É que a saudade chega serena,
Propiciando uma noite tranqüila de sono
E um amanhecer de paz.
Entretanto, uma lágrima irrompe com a madrugada,
Resignadamente enxugo-a
E recolho-me.

Somaia Gonzaga
18/09/2016 às 00:12



domingo, 4 de setembro de 2016

Um átimo ...




Há no teu abraço um leve pulsar,
E no teu olhar algo nostálgico,
Que me invade a alma,
Como se estivesse dissipando as angústias vividas.
Repentinamente, tu me afagas com um beijo
E por pouco me cativas.


Somaia
04/09/2016

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Instantes, momentos, reticências.




     Apoiada à janela, observou atentamente o brilho fascinante das luzes que iluminavam a calorosa noite. Vislumbrou o mar e os coqueirais que bailavam com a melodia do vento. Analisou as pessoas que caminhavam à beira-mar e algumas crianças que corriam, e  outras que patinavam. Contagiou-se ao ver os sorrisos estampados nos rostos, os abraços dados, os acenos... Apreciava testemunhar os encontros e desencontros tão comuns ao cotidiano. Demorou-se assim, não sabe por quanto tempo, contemplando o agradável cenário.
     Vidas. Vidas regadas a angustias, alegrias e medos. Quantos sentimentos são necessários para a consolidação de um ser? Refletiu. Avistou o horizonte e sorriu ao recordar que ela mesma experimentou com intensidade cada porção do “sentir” desencadeado ao longo dos anos.
     Absorta, ouve seu nome e delicadamente volta-se para o quarto. Ele deitado, reclamou aconchego. De imediato, desprendeu-se da paisagem, fechando as janelas. Caminhou com passos suaves até o leito, sentando-se ao lado dele. Entreolharam-se, percebeu que ele estava sonolento, encostou-se mais e com as mãos transportou a cabeça daquele homem, amparando-a sobre suas coxas, ele obedeceu cerrando os olhos ao passo que balbuciou algo inaudível, repousando por fim um dos braços em cima de suas pernas. Em silêncio acariciou-lhe os cabelos grisalhos, mergulhando nas sensações que aquela proximidade provocara por ininterruptas estações.
     Ansiou por muito tempo aquele instante, o que a fez agarrar-se ao momento ímpar com entusiasmo. Um turbilhão de sentimentos eclodiu naquelas poucas horas em que os sentidos, agora, faziam sentido.  No entanto, um misto de plenitude e desencanto digladiavam-se, em seu íntimo. Estavam, mas não seriam, lamentou. A emoção vestindo-se de corsellet vermelho a conduziu até ali, entretanto, a prudência, essa, trataria de levá-la sem arranhões para suas infinitas horas em seu apartamento. Ambos sabiam, ele tinha que partir, mas a vida era feita de idas e vindas, portanto não era motivo para tormentos, o instante era mágico e seria eternizado, pensou. Não haveria dores, talvez restasse uma saudade, ou ainda quem sabe, apenas uma boa recordação de um amor forçadamente amputado. Curvou-se e beijou-lhe a fronte. Entre resmungos, ele lançou-se sobre o travesseiro, ao lado. Sorrindo, virou-se lateralmente, apagando a luz do abajur.  Deitou-se e abraçou aquele universo que não a pertencia. Antes de dormir, sussurrou-lhe ao ouvido: Meu sonho, amanhã é dia de acordar.
                                                                                 
                                              
Somaia Gonzaga

11/08/2016

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Mar de calmaria




A beira-mar, ela saboreou  serena,
A brisa suave que circundou seu caminhar,
As  ondas batiam na praia compondo uma canção,
Que evocavam  Bolero de Ravel.
E nesse ritmo seus passos  lentos e precisos,
Trilhou entre os coqueiros e o mar.
Percorreu com pés agarrados a areia branca e fina,
Sob um luar de brilho prateado,
Sentiu seu corpo leve...
E em sua alma uma paz infinda.


Somaia Marguerite



sábado, 23 de julho de 2016

Ar de incêndios




O inesperado que invade,
Adentra com sabor de Boscato Cabernet,
Inebria os sentidos coibidos,
Enjaulados, agonizados...
São as armadilhas do destino,
Que faz de ébrio o que era comedido
E exacerba  a chama incoercível.


Somaia Marguerite
23/07/2016









sexta-feira, 8 de julho de 2016

Desatino





Queria estar perto...
Sentir teu cheiro no meu,
Molhar a minha boca na tua sem medo,
Esmoreço.

Mesclar meu suor no teu,
Contemplando teus olhos castanhos,
Que não esqueço!
Esbravejo.

Confessar num lamento sereno,
Que em noites cálidas
Pulso em segredo,
E enlouqueço.



Somaia Marguerite