Às vezes a saudade dói,
chega sem pedir licença,
faz morada no silêncio
e conversa com a ausência.
Ela passeia pelas lembranças,
folheia capítulos que o tempo não apagou,
e, em cada página da memória,
deixa um pedaço do que o coração guardou.
Há dias em que pesa como tempestade,
há outros em que se faz brisa,
mas nunca deixa de lembrar
que existiu um sorriso, um abraço, uma vida.
E, quando menos se espera,
a paixão adormecida eclode.
Como a primavera rompendo o inverno,
ela desperta o que parecia esquecido,
faz o coração bater mais forte
e devolve cor aos dias antes cinzentos.
Porque, às vezes, a saudade dói...
mas é justamente essa dor
que desperta sentimentos adormecidos
e faz renascer a esperança de amar outra vez.
A saudade, então, deixa de ser apenas ausência.
Transforma-se na semente invisível
de uma paixão que nunca morreu,
apenas esperando o momento certo para florescer.