Translate

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Desejo...




Desejo o simples sabor da liberdade
nem que seja, simplesmente por um segundo
Desejo neste mínimo segundo,
ter com essa liberdade, o simples poder de sonhar
com a vida leve e flutuante

Desejo voar nem que seja, somente com minha imaginação.

Imaginar como seria, como poderia ser se eu conhecesse a liberdade

Desejaria também sentir o prazer,
não o universo vísivel a todos
mas, o universo oculto dentro de mim...


Autor desconhecido



segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Não sei...




Já chamei pessoas próximas de "amigo" e descobri que não eram...
Algumas pessoas nunca precisei chamar de nada e sempre foram e serão especiais para mim.
Não me dêem fórmulas certas, porque eu não espero acertar sempre.
Não me mostre o que esperam de mim, porque vou seguir meu coração!
Não me façam ser o que não sou, não me convidem a ser igual, porque sinceramente sou diferente!
Não sei amar pela metade, não sei viver de mentiras, não sei voar com os pés no chão.
Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra SEMPRE!


Clarice Lispector


segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Nós dois...




E nós que nem sabemos quanto nos queremos
Que nem sabemos tudo que queremos
Como é difícil o desejo de amar

Você que nem me soube quanto eu quis
Que não coube, não me viu raiz
Nascendo, crescendo nos terrenos seus

Eu da janela olhando a lua, perguntando a lua 
Onde você foi amar?

E nós que nem soubemos nos querer de vez
Estamos sós, laçados em dois nós
Um que é meu beijo o outro é o lábio seu

Não sei sair cantando sem contar você
Que eu sei cantar, mas conto com você
Que eu vou seguir, mas vou seguir você

Queria que assim sabendo se a gente se quer
Queria me rimar no seu colo mulher
Vencer a vida donde ela vier

Ganhar seu
Chegar no chegar meu
Dar de mim o homem que é seu
 
 
Tadeu Franco
 
 
 

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Sou...



"Sou composta por urgências: minhas alegrias são intensas; minhas tristezas, absolutas. Me entupo de ausências, me esvazio de excessos. Eu não caibo no estreito, eu só vivo nos extremos”


Clarice Lispector



sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Ata-me ...



De corpo e alma, ata-me,
tronco firme de amor.
Carrega-me,
amarras rubras de sangue,
deslizando juntos,
eternidade afora, ata-me.

Clau Assis


quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Na paz do seu sorriso



Na paz do seu sorriso
Meus sonhos realizo
E te beijo feliz
E na ânsia mais louca
No céu da sua boca
No alto as estrelas me dizem
Meu bem
Que a vida é isso
Que eu vivo por isso
Que você me dá, me dá
Na paz do seu sorriso
Meus sonhos realizo
E te beijo feliz
E a beleza é nada
Se for comparada
Com tudo que eu vejo em você
Meu bem
O amor é perfeito
Me amarro no jeito
Que você me dá, me dá
Tudo isso que você meu bem me dá
Tudo isso que você meu bem me dá
E nós dois num abraço
Rolamos no espaço
Me perco no amor com você
Meu bem
E perco o juízo
Pois o paraíso
É o que você me dá, me dá
Tudo isso que você meu bem me dá
Tudo isso que você meu bem me dá
 

 Roberto Carlos e Erasmo Carlos
 

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

A pessoa errada...



Pensando bem, em tudo o que a gente vê, e vivencia, e ouve e pensa, não existe uma pessoa certa pra gente.
Existe uma pessoa, que se você for parar pra pensar, é na verdade, a pessoa errada.
Porque a pessoa certa faz tudo certinho: chega na hora certa, fala as coisas certas, faz as coisas certas.
Mas nem sempre precisamos das coisas certas.
Aí é a hora de procurar a pessoa errada.
A pessoa errada te faz perder a cabeça, fazer loucuras, perder a hora, morrer de amor.
A pessoa errada vai ficar um dia sem te procurar, que é para na hora que vocês se encontrarem a entrega seja muito mais verdadeira.
A pessoa errada, é na verdade, aquilo que a gente chama de pessoa certa.
Essa pessoa vai te fazer chorar, mas uma hora depois vai estar enxugando suas lagrimas, essa pessoa vai tirar seu sono, mas vai te dar em troca uma inesquecível noite de amor.
Essa pessoa pode não estar 100% do tempo ao seu lado, mas vai estar toda a vida esperando você.
A pessoa errada tem que aparecer para todo mundo, porque a vida não é certa, nada aqui é certo.
O certo mesmo é que temos que viver cada momento, cada segundo amando, sorrindo, chorando, pensando, agindo, querendo e conseguindo.
Só assim, é possível chegar aquele momento do dia em que a gente diz: "Graças a Deus, deu tudo certo!", quando na verdade, tudo o que Ele quer, é que a gente encontre a pessoa errada, para que as coisas comecem a realmente funcionar direito prá gente.


Luis Fernando Veríssimo



 

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Falando ao coração...



                Desperta, coração! Vamos morar
                Numa casinha branca, ao pé do mar...
                Que seja linda como é linda a Lua
                Que em noites santas pelo Azul flutua:
                Imaculada como a luz do Amor,
                Alva de neve como um sonho em flor.

                Quando a noite vier... Se no meu seio
                Estremeces cheio de receio,
                Tremendo à sombra que amortalha o Dia
                E cobre a terra de melancolia, 
                Longe do mundo e da desesperança,
                Hei de embalar-te como uma criança.

                Quero que escutes o gemer profundo
                Do Mar que chora a pequenez do Mundo
                E ouças cantar a doce barcarola
                Da noite imensa que se desenrola
                Dando perfume ao coração dos lírios,
                Trazendo sonhos para os meus martírios.

                E quando o Sol nascer; quando, formosa
                Como uma garça branca e misteriosa
                Batendo as asas cor de neve, a Aurora
                Vier cantando pelo mundo a fora,
                       Rufla as asas também... e forte, então,
                Tu podes palpitar, meu coração!

                Acorda para a Vida e canta e canta,
                O Sol da Terra - iluminada e santa!
                Deixa o teu sonho de saudade e dores
                Dormir no seio trêmulo das flores...
                E foge e foge pelo Espaço, à toa,
                Pomba exilada que a seus lares voa!

                Esquece a louca e pálida amargura
                Que ha tantos anos meu viver tortura...
                Canta o teu hino de ilusão querida,
                Esquece tudo o que não seja a Vida,
                E, para o Céu das alegrias mansas, 
                Conduz nas asas minhas esperanças...

                Não vês? Minh!alma é como a pena branca
                Que o vento amigo da poeira arranca
                E vai com ela assim, de ramo em ramo,
                Para um ninho gentil de gaturamo...
                Leva-me, ó coração, como esta pena
                        De dor em dor até a paz serena.

                Desperta, coração, vamos morar
                Numa casinha branca, ao pé do Mar...
                Quero que escutes, a sonhar comigo,
                A queixa eterna do Oceano amigo
                E ouças o canto triunfal da Aurora
                Batendo as asas pelo Mar a fora...


Rubens Campos


sexta-feira, 13 de abril de 2012

Dois amantes...


Dois amantes felizes não têm fim nem morte,
nascem e morrem tanta vez enquanto vivem,
são eternos como é a natureza.

Pablo Neruda


A um ausente...


Tenho razão de sentir saudade,
tenho razão de te acusar.
Houve um pacto implícito que rompeste
e sem te despedires foste embora.
Detonaste o pacto.
Detonaste a vida geral, a comum aquiescência
de viver e explorar os rumos de obscuridade
sem prazo sem consulta sem provocação
até o limite das folhas caídas na hora de cair.

Antecipaste a hora.
Teu ponteiro enlouqueceu, enlouquecendo nossas horas.
Que poderias ter feito de mais grave
do que o ato sem continuação, o ato em si,
o ato que não ousamos nem sabemos ousar
porque depois dele não há nada?

Tenho razão para sentir saudade de ti,
de nossa convivência em falas camaradas,
simples apertar de mãos, nem isso, voz
modulando sílabas conhecidas e banais
que eram sempre certeza e segurança.

Sim, tenho saudades.
Sim, acuso-te porque fizeste
o não previsto nas leis da amizade e da natureza
nem nos deixaste sequer o direito de indagar
porque o fizeste, porque te foste

Carlos Drummond de Andrade