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terça-feira, 6 de agosto de 2013

Efêmera Eternidade



A mão dele estendida
Foi prontamente aceita por ela
Puxou-a de encontro ao seu corpo
E ela foi lentamente atraída até ele
Tocou suavemente sua pele macia
Ela permitiu-se um breve arrepio

Deslizou os dedos em suas costas desnudas
Sentiu um calor que lhe subia a espinha
Pousou sua mão delicadamente por sobre o vestido
Olhou-o nos olhos, sem palavras,
Encostou seu rosto no dela
Apreciou o calor que emanava dele

Conduziu-a firmemente pela mão
Deixou-se levar caminhando em nuvens
Delicadamente descobriu seus segredos
Saboreou, de olhos fechados, a sensação de tê-lo
Beijou-lhe até não poder mais
Entregou-se até sentir-se somente dele

Rodopiaram em frenesi
Em compassada loucura
Entre calor e desejo
Delírios e beijos
Música e prazer
Exaustão...

A mão dele pousada sobre ela
Os olhos dela fitando os dele
Um sorriso trocado entre carinhos
Um sussurro dele
Um suspiro dela

E a sensação de eternidade...


 Cau Alexandre



quarta-feira, 31 de julho de 2013

terça-feira, 30 de julho de 2013

Carlos Drummond de Andrade


A minha vontade é forte, mas a minha disposição 
de obedecer-lhe é fraca.

Carlos Drummond de Andrade



domingo, 21 de julho de 2013

Sem palavras...

                      
                                                          Eu em meu mundo...
                                                                 só e só
                                                                 Só maia
                                                                

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Masoquismo



Passados
Não se extinguem à meia noite
Mas na simplicidade
da água saudade
Que o piscar dos olhos propicia

E o passado também se lê no amor que morre
Por vezes assassinado de tão necessário
Que tê-lo sepulto em cova profunda
Abaixo do concreto das todas emoções
Torna-se vital questão de sobrevivência

Contudo, humano que somos
Não esperemos que após fenecido
O amor alce vôo à galáxias distantes
Ou asse em alumínio e fogo brando
Das azeitadas panelas do diabo

Todavia impõe o imprevisível bom senso
Fazer-nos retornar ao fim do terceiro dia
À caça de lazaras fendas nos veios do cimento
Pois comum a este nobre e profano sentimento
É ressuscitar-nos para outros tantos sofrimentos
 
 
Véio China
 
 

domingo, 7 de julho de 2013

Não se mate.


Carlos sossegue, o amor
é isso que você está vendo׃
Hoje beija, amanhã não beija,
depois de amanhã é domingo
e segunda-feira ninguém sabe o que será.

Inútil você resistir
ou mesmo suicida-se.
não se mate, oh não se mate,
reserve-se todo para
as bodas que ninguém sabe
quando virão,
se é que virão.

O amor Carlos, você telúrico,
a noite passou em você,
E os recalques se sublimando,
Lá dentro um barulho inefável,
Rezas, vitrolas, santos que se persignam
Anúncios do melhor sabão,
barulho que ninguém sabe
de que, pra quê.

Entretanto você caminha
melancólico e vertical.
Você é a palmeira, você é o grito
que ninguém ouviu no teatro
e as luzes todas se apagam.
O amor no escuro, não, no claro,
É sempre triste, meu filho, Carlos
Mas não diga nada a ninguém,
Ninguém sabe nem saberá.


Carlos Drummond de Andrade



Poema do livro Reunião – 10 livros de poesia. São Paulo – José Olympio, 1969. p. 26

domingo, 19 de maio de 2013

Esvaindo-se



Esvaindo-se
perdido entre meus dedos
vai-se embora lentamente
como líquido a escorrer
assim vai sentimento
lentamente escapando
Como copo que quebrou

Meu dedo cortado pingando
misturando vinho e sangue
escorrendo tortuosamente
sulcando a terra
a cada momento afasta-se mais
aumenta a distancia
aprofunda-se a vala entre nós dois

Não importa mais
se você está do meu lado
ou do outro lado do mundo
afinal nossos mundos não se cruzam mesmo
como paralelas correndo sem jamais se tocarem

Sentimento que sufoca
Aperto lento na alma
Amor que vai embora
Esvaindo-se...


Afonso


sexta-feira, 3 de maio de 2013

domingo, 28 de abril de 2013

Quero escrever o borrão vermelho de sangue



Quero escrever o borrão vermelho de sangue
com as gotas e coágulos pingando
de dentro para dentro.
Quero escrever amarelo-ouro
com raios de translucidez.
Que não me entendam
pouco-se-me-dá.
Nada tenho a perder.
Jogo tudo na violência
que sempre me povoou,
o grito áspero e agudo e prolongado,
o grito que eu,
por falso respeito humano,
não dei.


Mas aqui vai o meu berro
me rasgando as profundas entranhas
de onde brota o estertor ambicionado.
Quero abarcar o mundo
com o terremoto causado pelo grito.
O clímax de minha vida será a morte.


Quero escrever noções
sem o uso abusivo da palavra.
Só me resta ficar nua:
nada tenho mais a perder.

Clarice Lispector