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sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Bolero de Ravel


Ouvir e sentir Bolero de Ravel,  me faz flutuar, chorar, sorrir, sonhar, viajar...
é um encontro comigo mesma, é navegar por mares nunca vistos...
é dançar estando em repouso, é beijar tua boca sem tê-la por perto,
é o que eu quiser sentir...

Eu, um ser...


Quero parar...




Queria uma palavra que me fizesse parar de provocar um vômito após saciar minha fome! Não consigo parar! É incontrolável,  devoro a refeição e depois enfio meus dedos na minha garganta e vomito até sentir o amargo da bile...

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Um sopro de vida


Fico alegre quando sinto fome, tendo é claro o que comer. Só para ter 
uma finalidade imediata. Quando sinto fome, tenho uma razão de viver. Ou então 
quero que minha vida se justi fique pelo intenso desejo de viver. O que me 
sustenta é a necessidade. A necessidade me faz criar um futuro. Porque o 
desejo é algo primi tivo, grave e que impulsiona. 

Clarice Lispector

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Desejo...



Desejo a você 
Fruto do mato 
Cheiro de jardim 
Namoro no portão 
Domingo sem chuva 
Segunda sem mau humor 
Sábado com seu amor 
Filme do Carlitos 
Chope com amigos 
Crônica de Rubem Braga 
Viver sem inimigos 
Filme antigo na TV 
Ter uma pessoa especial 
E que ela goste de você 
Música de Tom com letra de Chico 
Frango caipira em pensão do interior 
Ouvir uma palavra amável 
Ter uma surpresa agradável 
Ver a Banda passar 
Noite de lua Cheia 
Rever uma velha amizade 
Ter fé em Deus 
Não Ter que ouvir a palavra não 
Nem nunca, nem jamais e adeus. 
Rir como criança 
Ouvir canto de passarinho 
Sarar de resfriado 
Escrever um poema de Amor 
Que nunca será rasgado 
Formar um par ideal 
Tomar banho de cachoeira 
Pegar um bronzeado legal 
Aprender um nova canção 
Esperar alguém na estação 
Queijo com goiabada 
Pôr-do-Sol na roça 
Uma festa 
Um violão 
Uma seresta 
Recordar um amor antigo 
Ter um ombro sempre amigo 
Bater palmas de alegria 
Uma tarde amena 
Calçar um velho chinelo 
Sentar numa velha poltrona 
Tocar violão para alguém 
Ouvir a chuva no telhado 
Vinho branco 
Bolero de Ravel 
E muito carinho meu.

Carlos Drummont


domingo, 30 de janeiro de 2011

Eu sou o vento....


Sou movida pela emoção, pela paixão tenho meus desatinos Detesto coisas mais ou menos Não sei conviver com pessoas mais ou menos Não sei amar mais ou menos Não me entrego de forma mais ou menos… Se Você procura alguém coerente, sensata, politicamente correta, racional, cheia de moralismo. ESQUEÇA-ME! Se Você sabe conviver com pessoas intempestivas, emotivas, vulneráveis, amáveis, que explodem na emoção… ACOLHA-ME! Se Você se assusta com esse meu jeito de ser… AFASTE-SE! Se Você quiser me conhecer melhor…APROXIME-SE! Se Você não Não gosta de mim, IGNORE-ME! E quando Eu partir…..NÃO CHORE!”
Clarice Lispector


quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Dentro de mim



...Existe um ser que mora dentro de mim como se fosse a casa dele, e é.
trata-se de um cavalo preto e lustroso que apesar de inteiramente selvagem - pois nunca morou antes em ninguém nem jamais lhe puseram rédeas nem sela - apesar de inteiramente selvagem tem por isso mesmo uma doçura primeira de quem não tem medo:
come às vezes na minha mão. Seu focinho é úmido e fresco, eu beijo o seu focinho.
quando eu morrer, o cavalo preto ficará sem casa e vai sofrer muito. a menos que ele escolha outra casa e que esta outra casa não tenha medo daquilo que é ao mesmo tempo selvagem e suave.
aviso que ele não tem nome: basta chamá-lo e se acerta com seu nome.
ou não se acerta, mas, uma vez chamado com doçura e autoridade, ele vai.
se ele fareja e sente um corpo-casa é livre, ele trota sem ruídos e ai.
aviso tambem que nao se deve temer seu relinchar:
a gente se engana e pensa que é a gente mesma que está relinchando de prazer ou de cólera,
a gente se assusta com o excesso de doçura do que é isto pela primeira vez. 


Clarice Lispector


quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Sou dramática


"Sou dramática, intensa, transitória e tenho uma alegria em mim que quase me deixa exausta. Eu sei sorrir com os olhos e gargalhar com o corpo todo. Eu sei chorar toda encolhida abraçando as pernas. Por isso, não me venha com meios-termos, com mais ou menos ou qualquer coisa. Venha a mim com corpo, alma, vísceras, e falta de ar..."

Clarice Lispector


terça-feira, 18 de janeiro de 2011

e morro...


Eu que simbolicamente
morro várias vezes só para
experimentar a ressurreição…

Clarice Lispector


quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Minha verdade...


Minha verdade espantada é que eu sempre estive só de ti e não sabia. Agora sei: sou só. Eu e minha liberdade que não sei usar. Grande responsabilidade da solidão. Quem não é perdido não conhece a liberdade e não a ama. Quanto a mim, assumo a minha solidão. Que ás vezes se extasia como diante de fogos de artifício. Sou só e tenho que viver uma certa glória íntima que na solidão pode se tornar dor. E a dor, silêncio. Guardo o seu nome em segredo. Preciso de segredos para viver.

Clarice Lispector



O medo


"O medo sempre me guiou para o que eu quero.E porque eu quero, temo.Muitas vezes foi o medo que me tomou pela mão e me levou. O medo me leva ao perigo. E tudo o que eu amo é arriscado."


Clarice Lispector