Por: Somaia Gonzaga
Música: Soledad - Maria Linnemann
Existe o silêncio que inicia a fala
Silêncio ...
Principio
Justa medida para dar espaço
Para abrir a porta na sucessão dos sons
...
As vezes o silêncio traz um retorno necessário
Um eco substancia
Estilos e tempos internos
Daquele que vos fala
..
O silencio fica curto
Quando queremos aproximar as ideias
Chamar a atenção para uma quebra
...
Ou um desenrolar dos versos e das metáforas
...
No fundo o silencio controla a vida
Nos sucessivos respirar dos que falam
Alinham as inspirações
Harmonizam a ventilação dos que comungam do mesmo silêncio
..
O silencio pode ser desconfortável e constrangedor
Sugerir finais intermináveis
Suspender os ares e toda expectativa
De serem boas as palavras ou demasiadamente pesadas
...
O silencio traz alivio
Um entendimento epifanio por entre os versos
Sentimentos eternizados nas diástoles do coração do ouvinte
Curvas orgasmicas do amar a realidade
...
O silencio projeta as sombras de nossas palavras
Reflete por entre os sons
A incompreensão necessária dos que falam
Ruído eterno da vida
..
Ah ... O silêncio
...
Sustentação dos que vivem
Simbolismo absoluto dos que morrem
Substancia ... primeira da saudade
Objetivo ... ultimo da linguagem
Alan Figuereido
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terça-feira, 10 de janeiro de 2017
sexta-feira, 16 de dezembro de 2016
Fugindo de mim....
Cansada do marasmo de seus dias caminhou até o espelho, olhou-se demoradamente. Buscou o seu "eu"... Irritada, dirigiu-se a janela de seu pequeno quarto , apoiou-se-se na fenda e vislumbrou a paisagem que a cercava.
Embevecida pelas luzes da cidade que anunciavam as festas de final de ano, vestiu-se de coragem
e saiu da ostra...
Somaia Gonzaga
16/12/2016
quinta-feira, 24 de novembro de 2016
domingo, 30 de outubro de 2016
♪... Juntou caminhos, mas separou as estradas...♫
Um momento de paixão,
instantes...
instantes...
E não há lamentos,
nem angustias.
Aconteceu....
nem angustias.
Aconteceu....
Revivi, senti
e eternizei.
e eternizei.
Somaia Marguerite Gonzaga
sexta-feira, 7 de outubro de 2016
Oração ao vento
Sopra vento,
Desalinha meus cabelos,
Joga o pó da terra em minha pele
com fúria.
Voa vento!
E acalenta-me
com a leveza dos pássaros,
no seu abraço.
no seu abraço.
Vem vento,
sussurra ao meu ouvido
as naus que já fez velejar
no oceano da saudade.
Sopra vento...
Sopra!
E leva as sobras do que fui,
e do que sou.
Somaia Gonzaga
sexta-feira, 30 de setembro de 2016
Eternamente você...
Tenho medo desse fascínio,
Que eclode/explode ao ouvir-te em mim...
Receio esse leve sussurrar da loucura,
Que do sereno tornou-se tempestuoso,
Conduzindo-me aos
inevitáveis tropeços.
Ilusões ...
Difícil manter-me impassível a tua presença-ausente.
Esquivo-me, mas, não te quero longe.
Transbordo de amor,
Voo...
Voo...
Contudo, forçoso é manter meus pés ao chão.
Somaia Gonzaga
30/09/2016
sábado, 17 de setembro de 2016
♫...Se resta em sua lembrança um pouco do muito que te quis..." ♫
É que a saudade chega serena,
Propiciando uma noite tranqüila de sono
E um amanhecer de
paz.
Entretanto, uma lágrima irrompe com a madrugada,
Resignadamente enxugo-a
E recolho-me.
Resignadamente enxugo-a
E recolho-me.
Somaia Gonzaga
18/09/2016 às 00:12
18/09/2016 às 00:12
domingo, 4 de setembro de 2016
Um átimo ...
Há no teu abraço um leve pulsar,
E no teu olhar algo nostálgico,
Que me invade a alma,
Como se estivesse dissipando as angústias vividas.
Repentinamente, tu me afagas com um beijo
E por pouco me cativas.
E por pouco me cativas.
Somaia
04/09/2016
sexta-feira, 12 de agosto de 2016
Instantes, momentos, reticências.
Apoiada à janela, observou atentamente
o brilho fascinante das luzes que iluminavam a calorosa noite. Vislumbrou o mar
e os coqueirais que bailavam com a melodia do vento. Analisou as pessoas que
caminhavam à beira-mar e algumas crianças que corriam, e outras que patinavam. Contagiou-se ao ver os
sorrisos estampados nos rostos, os abraços dados, os acenos... Apreciava testemunhar
os encontros e desencontros tão comuns ao cotidiano. Demorou-se assim, não sabe
por quanto tempo, contemplando o agradável cenário.
Vidas. Vidas regadas a angustias,
alegrias e medos. Quantos sentimentos são necessários para a consolidação de um
ser? Refletiu. Avistou o horizonte e sorriu ao recordar que ela mesma
experimentou com intensidade cada porção do “sentir” desencadeado ao longo dos
anos.
Absorta, ouve seu nome e delicadamente
volta-se para o quarto. Ele deitado, reclamou aconchego. De imediato, desprendeu-se
da paisagem, fechando as janelas. Caminhou com passos suaves até o leito,
sentando-se ao lado dele. Entreolharam-se, percebeu que ele estava sonolento,
encostou-se mais e com as mãos transportou a cabeça daquele homem, amparando-a sobre
suas coxas, ele obedeceu cerrando os olhos ao passo que balbuciou algo
inaudível, repousando por fim um dos braços em cima de suas pernas. Em silêncio
acariciou-lhe os cabelos grisalhos, mergulhando nas sensações que aquela proximidade
provocara por ininterruptas estações.
Ansiou por muito tempo aquele instante,
o que a fez agarrar-se ao momento ímpar com entusiasmo. Um turbilhão de
sentimentos eclodiu naquelas poucas horas em que os sentidos, agora, faziam
sentido. No entanto, um misto de
plenitude e desencanto digladiavam-se, em seu íntimo. Estavam, mas não seriam, lamentou.
A emoção vestindo-se de corsellet vermelho a conduziu até ali, entretanto, a
prudência, essa, trataria de levá-la sem arranhões para suas infinitas horas em
seu apartamento. Ambos sabiam, ele tinha que partir, mas a vida era feita de
idas e vindas, portanto não era motivo para tormentos, o instante era mágico e seria
eternizado, pensou. Não haveria dores, talvez restasse uma saudade, ou ainda
quem sabe, apenas uma boa recordação de um amor forçadamente amputado. Curvou-se
e beijou-lhe a fronte. Entre resmungos, ele lançou-se sobre o travesseiro, ao
lado. Sorrindo, virou-se lateralmente, apagando a luz do abajur. Deitou-se e abraçou aquele universo que não a
pertencia. Antes de dormir, sussurrou-lhe ao ouvido: Meu sonho, amanhã é dia de
acordar.
Somaia Gonzaga
11/08/2016
quarta-feira, 27 de julho de 2016
Mar de calmaria
A beira-mar, ela saboreou
serena,
A brisa suave que circundou seu caminhar,
As ondas batiam na
praia compondo uma canção,
Que evocavam Bolero
de Ravel.
E nesse ritmo seus passos lentos e precisos,
Trilhou entre os coqueiros e o mar.
Percorreu com pés agarrados a areia branca e fina,
Sob um luar de brilho prateado,
Sentiu seu corpo leve...
E em sua alma uma paz infinda.
Somaia Marguerite
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