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quinta-feira, 16 de junho de 2016

Invasão consentida




E do nada
Sobressalto por golpe rabiscado,
Letras Inexatas e desarticuladas
Indo e vindo,
Violentando o silêncio,
Constrangendo meu mutismo.

Na Intensidade do tormento,
Excitada e atordoada,
Deixo-me ser invadida.

Sinto o pulsar da língua neste momento
E a minh’alma comovida.

Sem rima, sem métrica...
Assim prossigo!
Desprovida de know-how no versejar.
Apenas reverberando as palavras
(que ecoam)
Sem sentido.


Somaia Marguerite










sexta-feira, 10 de junho de 2016

Apenas gosto...



Gosto das palavras
Soltas, metrificadas
Escritas , Lidas, declamadas
Emaranhadas, destrinchadas
Balbuciadas, Sussuradas
 Espraguejadas...
Palavras que voam, esquecidas pelo tempo
As que ainda estão por vir, livres no pensamento
A palavra enunciada no tenebroso silencio
Interpretadas nos quadros, nas fotografias
Expressas nos movimentos da dançarina
Lindas, mesmo pornografias ou pornofonias
Amo as palavras escarradas no dia-a-dia.


Somaia Marguerite



quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Olhos





Vi teu olhar... Desinteressado talvez, mas que eclodiu em mim, um vulcão de sentimentos adormecidos, pelo tempo e pelo cansaço. Um olhar apenas, no entanto, avivou aquilo que nego despertar. Olhos castanhos, que acenderam a chama, que um dia me fizeram emergir de mim mesma. Não há como negar, seu olhar ainda, somente ele, atordoa, alicia, perturba... Sim, percebi seu olhar e desorientei-me em angustiadas lembranças. Neste curso, encontrei uma saudade incessante e perdi meu chão, ousei gritar, entretanto, fracassei, vencida pelas recordações afloradas. Precisei de ar, do seu ar... Caminhei vagarosamente até a sala e abri as janelas, senti um vento impetuoso adentrar no ambiente, abracei-me e neste ápice, seus olhos, mais uma vez, alcançaram os meus. Olhos poderosos, que desconhecem a força, que até hoje, exercem sobre esta mulher. O poder de uma águia, que me envolve e que em livre vôo lança-se no infinito, solto e cativo unicamente pelos meus olhos, que silenciosos os seguem atentos. Baixei a cabeça lentamente, a fim de desviar a atenção do pássaro, suspirei resignada e perdida em devaneios, fechei as  minhas janelas para não mais o olhar.


Somaia Gonzaga


sábado, 2 de janeiro de 2016

Você...




Doce inventor,
Caro companheiro,
Delicado incógnito,
Gentil amado,
Terno despercebido,
Meigo amante,
Cortês mestre,
Solitário pedinte...

Premiou o amor!
É um desejo
Sempre presente.

Miragem
Que nunca some

E a inspiração
Que sempre surge!


Joyce Gomes




segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

A um ausente



Tenho razão de sentir saudade,
tenho razão de te acusar.
Houve um pacto implícito que rompeste
e sem te despedires foste embora.
Detonaste o pacto.
Detonaste a vida geral, a comum aquiescência
de viver e explorar os rumos de obscuridade
sem prazo sem consulta sem provocação
até o limite das folhas caídas na hora de cair.


Antecipaste a hora.
Teu ponteiro enlouqueceu, enlouquecendo nossas horas.
Que poderias ter feito de mais grave
do que o ato sem continuação, o ato em si,
o ato que não ousamos nem sabemos ousar
porque depois dele não há nada?


Tenho razão para sentir saudade de ti,
de nossa convivência em falas camaradas,
simples apertar de mãos, nem isso, voz
modulando sílabas conhecidas e banais
que eram sempre certeza e segurança.


Sim, tenho saudades.
Sim, acuso-te porque fizeste
o não previsto nas leis da amizade e da natureza
nem nos deixaste sequer o direito de indagar
porque o fizeste, porque te foste.


Carlos Drummond de Andrade







domingo, 1 de novembro de 2015

Do sorriso da ela morena



Do sorriso da bela morena,
Eu guardei o pedaço do canto,
Perto dele pareço pequena,
Faço dele então meu recanto.

Um pedaço me parece tanto!
Quando junto à face serena.
Do sorriso da bela morena,
Eu guardei o pedaço do canto.

Dos apegos da fala amena,
Ao sublime timbre do canto.
E nos leva a navegar.. Querena ...
Pelas águas de doce encanto!
Do sorriso da bela morena.



Rejane Alves



sábado, 21 de fevereiro de 2015

Tempo de Estio


Hoje, lembrei-me do inverno que assolou os meus dias, de um céu cinza que desaguava continuamente e que transbordava os rios das emoções. Recordei das noites insones de frio, dos medos, das angústias infindas e os trovões que ecoavam no silêncio das madrugadas. Revivi os percursos trilhados e a lama que punia os meus passos, numa estrada íngreme e cansativa. Foi um tempo em que não havia frutos, nem flores, nem pássaros. E em mim, persistia apenas um intenso desejo de que o sol voltasse a brilhar. E foi com o canto de um pássaro solitário que o sol ensaiou seus primeiros raios. Meu caminho, vestindo-se de flores, secou. A natureza finalmente se espreguiça e renasce, deixando as madrugadas frias na lembrança... 
O ontem se faz presente e voa com o tempo no estio da estação.


Somaia Marguerite Gonzaga



sábado, 10 de maio de 2014

Acróstico




Saber a tua voz dizer de mim
Ouvir-te repetidas vezes tantas;
Mesclar tanto o teu não, quanto o teu sim,
Amanhecer te ouvindo (tu me encantas...)
Ir daqui até aí (te ouvir, eu vim)
Adormecer e perdir: me lê e canta...

Antoniel Campos